28 de fevereiro de 2010

Logo que desapareceste guardei-te numa caixinha, numa caixinha bem pequenina. Logo que fizeste tudo o que fizeste, logo que disseste tudo o que disseste, sendo essas feitas as tuas últimas palavras, eu guardei-te numa caixa pequenina. Fui até à exaustão, pensando em tudo o que de mal fizeste para que consegui-se que tu coubesses num sitio tão pequeno e miserável. E guardei-a no fundo do armário como quem guarda algo que já não precisa, não foi assim á tanto tempo que me deixaste, mas para mim já passou eternidades, talvez porque os dias têm custado a passar, talvez a saudade a magoa seja muito, talvez seja por isso. Mas E assim passou, assim fui andando até que hoje essa caixinha apareceu na minha mesinha-de-cabeceira. Mas da segunda vez, sabendo já o quão é difícil fechar essa caixinha, pensei que nunca mais conseguiria e calculei que todos os dias teria de olhar para ela e ver-te lá, pequenino, mas não o suficiente para eu conseguir fechá-la. Para mim já passou muito tempo... Muitos dias, muita chuva, muito vento. Passou tempo suficiente para que num dia, acordasse, olhá-se para a caixinha e ela já estivesse fechada. E o mais que poderia fazer era guardar, novamente, no armário. E assim o fiz. E hoje e durante muito tempo continuaras lá, no meio de meias já rotas e calças justas. Para mim hoje, já não serves para nada, porque conseguiste acabar com o teu valor e eu também consegui desvalorizar-te em mim. Já não preciso de ti para viver e sim isto é o meu primeiro e ultimo adeus para ti.

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